Não sei se alguém já passou por essa experiência, a de ler uma mensagem via internet e ter a impressão de que está ouvindo a pessoa falar. Diferente de quando a gente imagina alguém com quem se comunica virtualmente, existem pessoas - na verdade, duas até hoje... - que me fazem ou, no caso a que vou me referir, fizeram ler "ouvindo".
A Marcela é uma delas. Ela escrevia o blog Desiderata, que eu não me lembro agora como descobri. Às vezes eu fazia um pequeno comentário por lá e da mesma forma ela em meu blog.
Inteligente, dedicada, atenciosa e educada.
No dia 29 de junho de 2008, ela deu a grande notícia: fora aprovada no concurso do Rio Branco e iria ser uma diplomata. Fiquei super feliz e parecia que a conhecia mesmo.
Mas como era de se esperar, ela parou de escrever. E ficou a saudade.
Coloquei aqui embaixo a última postagem do blog e a antepenúltima (inversamente), quando ela estava na expectativa pelo resultado das provas que acabara de fazer. Tomara que a felicidade que transmitiu ainda esteja com ela.
"Estranho… após um ano de estudo frenético, eu finalmente parei. E bateu uma síndrome de abstinência. O concurso do Itamaraty acabou no último fim de semana. Foram 26 horas de prova. Quase 50 páginas redigidas. Duas línguas estrangeiras e cinco matérias diferentes. Eu não descansei. Desde aquele fatídico dia de junho do ano passado, eu não descansei. Dediquei-me com afinco ao que mais quero nessa vida. Hoje, apesar de aliviada, estou super ansiosa. Trilhei o caminho com muito cuidado… espero que seja suficiente para agradar a banca do Instituto Rio Branco. Ai, ai, ai… espero que esse fim seja apenas o começo de uma nova vida."
Desiderata, 10/06/2008
"No dia 25 de junho, comemorei três anos de casada e recebi (pelo orkut, rsrsrs!) a notícia mais importante da minha vida: a de que eu estava matematicamente aprovada no concurso do Rio Branco. A lista oficial só sai no dia 16 de julho. A minha nota, contudo, garantiu a minha pré aprovação. Eu gritei, chorei, corri pelos corredores do prédio e abracei a empregada da vizinha. Estava sozinha em casa. Liguei para todas as pessoas mais importantes da minha vida e com elas chorei mais uma vez. Olhei para o céu e pensei: Caraca, eu serei uma diplomata. Esse não era o meu sonho de criança e eu não passei anos esperando por esse momento. Esse foi um sonho recente, chegou de repente. E foi trazido pelas mãos do Marco, meu companheiro, aquele que torceu, sofreu, penou e esperou ao meu lado por essa realização. São tantas pessoas que fizeram parte dessa trajetória. Tantas, mesmo! O meu marido, contudo, foi muito forte. Aguentou todas as horas de estudo, a bagunça da casa, as noites sem jantar, as saídas canceladas, os livros pelo chão, os choros imprevisíveis, o nervoso contínuo, os parcos sorrisos e as noites mal-dormidas. Foi ele que ficou ao meu lado durante esse ano, torcendo e sonhando. É a ele que eu devo agradecer primeiro. Então, Marco, mais uma vez te agradeço por fazer da minha vida uma vida mais fácil, mais alegre e mais bonita. Esse sonho também foi seu e a realização também é sua. Te amo muito!!!"
Desiderata, 29/06/2008
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Mais ideias de João Pedro
- Mãe, posso fazer uma loja na garagem de casa?
- Para vender o quê?
- Ah, brinquedos, coisas que a gente não usa mais, coisas não tecnológicas que eu vou fazer para as pessoas brincarem quando chover e não tiver TV nem nada para fazer...
- Para vender o quê?
- Ah, brinquedos, coisas que a gente não usa mais, coisas não tecnológicas que eu vou fazer para as pessoas brincarem quando chover e não tiver TV nem nada para fazer...
Entendeu, gente?
Momento de agir!
O Ás de Paus como arcano de aconselhamento para este momento de sua vida vem sugerir a necessidade de se atirar nas coisas com mais entusiasmo, sem medos, imprimindo tesão em tudo o que se faz, Ana. Você dispõe de imenso potencial criativo e está num momento excepcional para fazer valer as idéias que saltarão de sua mente e coração. Cuidado apenas para, no entusiasmo, não terminar “queimando” as pessoas ao seu redor. Temos, muitas vezes, idéias brilhantes e “vemos” as coisas de uma maneira que ninguém mais viu. Ficamos irritados quando os outros não acompanham a perfeição de nossa visão ou a clareza que tivemos a respeito de um projeto ou idéias. E é aí que mora o perigo, Ana: de nada adianta você ter uma ótima idéia, se não souber ter paciência para explicá-la.
Conselho: Atire-se! Mas tome cuidado para não ferir ninguém!
O Ás de Paus como arcano de aconselhamento para este momento de sua vida vem sugerir a necessidade de se atirar nas coisas com mais entusiasmo, sem medos, imprimindo tesão em tudo o que se faz, Ana. Você dispõe de imenso potencial criativo e está num momento excepcional para fazer valer as idéias que saltarão de sua mente e coração. Cuidado apenas para, no entusiasmo, não terminar “queimando” as pessoas ao seu redor. Temos, muitas vezes, idéias brilhantes e “vemos” as coisas de uma maneira que ninguém mais viu. Ficamos irritados quando os outros não acompanham a perfeição de nossa visão ou a clareza que tivemos a respeito de um projeto ou idéias. E é aí que mora o perigo, Ana: de nada adianta você ter uma ótima idéia, se não souber ter paciência para explicá-la.
Conselho: Atire-se! Mas tome cuidado para não ferir ninguém!
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Coisas de João Pedro
(Depois de ficar de castigo)
- Você é muito má! É a mãe mais má do mundo! Não: do universo!
- Mamãe, você é muito bonitinha!
- É? Eu sou?
- É, de verdade. E é a pessoa que eu mais amo no universo!
- Gostou do meu vestido novo? (na verdade, era uma regata comprida que até daria para ser vestido - na praia...)
- É... bonito... (o olhar começou em cima e logo foi para baixo)
Com um jeitinho todo especial, que vem com uma franzidinha no olho e um sorrisinho de leve, já conhecido, continua:
- Só que cuidado com o vento, tá? Porque se ventar, olha... (e dá uma dobrada na barra para cima) Viu? Aí aparece um pouquinho aqui... É melhor você ficar dentro de casa. Mas eu permito você usar, tá?
- Você é muito má! É a mãe mais má do mundo! Não: do universo!
********
- Mamãe, você é muito bonitinha!
- É? Eu sou?
- É, de verdade. E é a pessoa que eu mais amo no universo!
********
- Gostou do meu vestido novo? (na verdade, era uma regata comprida que até daria para ser vestido - na praia...)
- É... bonito... (o olhar começou em cima e logo foi para baixo)
Com um jeitinho todo especial, que vem com uma franzidinha no olho e um sorrisinho de leve, já conhecido, continua:
- Só que cuidado com o vento, tá? Porque se ventar, olha... (e dá uma dobrada na barra para cima) Viu? Aí aparece um pouquinho aqui... É melhor você ficar dentro de casa. Mas eu permito você usar, tá?
domingo, 2 de janeiro de 2011
Alguém do bem
Fazia faculdade, primeiro ano. Trabalhava como agente administrativa no Departamento de Esportes da Prefeitura. Um evento em prol da duplicação da Rodovia Fernão Dias precisava de recepcionista para as autoridades que chegariam no aeroporto. Chefe foi me buscar e lá fui em pânico, sem saber o que fazer, sem saber o que falar com as "autoridades". O ano era 89.
Políticos de peso compareceram. Indicava o caminho, as pessoas, o café e eles passavam com aquele olhar que mostrava o quanto estavam interessados em estar ali rodeados de pessoas que, na maioria, nunca tinham visto. Na saleta onde se encontravam e aguardavam informações dos assessores, qualquer esforço em parecerem um pouco preocupados com qualquer coisa que fosse sumia já que o acesso era restrito.
Mas chega mais um avião. Pouco alvoroço em volta de quem apareceu no portão de entrada. Quem esperava para fazer aquela média com políticos não identificou o que chegava - ele estava sem terno, com camisa e jaqueta esporte. Mas eu sabia quem era e fui informar as autoridades locais que Magalhães Teixeira* estava entrando. Ao contrário de todos os outros que já haviam chegado - e dos que chegariam em seguida - , me cumprimentou e pediu atualização sobre o evento e mais detalhes. Já sabia que ele era diferente, mas naquele momento tive a certeza de que era bom.
Lembrando disto agora, percebo que a sensação que ele me transmitiu (e que fui aprendendo a decifrar com o tempo) foi o que me fez interessar pela política mesmo sem saber. O que percebi/senti ouvindo as poucas palavras que trocamos é que boas pessoas existem na política e que a política pode estar bem próxima das "pessoas comuns". As "autoridades", bem, que fiquem entre elas.
* Magalhães Teixeira foi prefeito de Campinas
por dois mandatos (1983 a 1988 e 1993 a 1996)
e eleito deputado federal (1990 a 1992) com
a maior votação da cidade. Em 1994, lançou
o Programa de Renda Minima, destinado a famílias
abaixo da linha de pobreza que cumprissem
algumas condições, como manter os filhos na escola
com bom desempenho e aceitar receber visitas
da assistência social. Também implantou um
canal de comunicação entre a população e
a prefeitura através de uma linha telefônia exclusiva
para este fim. Foi um dos fundadores do PSDB.
Morreu em 1996 devido a um câncer no fígado.
Políticos de peso compareceram. Indicava o caminho, as pessoas, o café e eles passavam com aquele olhar que mostrava o quanto estavam interessados em estar ali rodeados de pessoas que, na maioria, nunca tinham visto. Na saleta onde se encontravam e aguardavam informações dos assessores, qualquer esforço em parecerem um pouco preocupados com qualquer coisa que fosse sumia já que o acesso era restrito.
Mas chega mais um avião. Pouco alvoroço em volta de quem apareceu no portão de entrada. Quem esperava para fazer aquela média com políticos não identificou o que chegava - ele estava sem terno, com camisa e jaqueta esporte. Mas eu sabia quem era e fui informar as autoridades locais que Magalhães Teixeira* estava entrando. Ao contrário de todos os outros que já haviam chegado - e dos que chegariam em seguida - , me cumprimentou e pediu atualização sobre o evento e mais detalhes. Já sabia que ele era diferente, mas naquele momento tive a certeza de que era bom.
Lembrando disto agora, percebo que a sensação que ele me transmitiu (e que fui aprendendo a decifrar com o tempo) foi o que me fez interessar pela política mesmo sem saber. O que percebi/senti ouvindo as poucas palavras que trocamos é que boas pessoas existem na política e que a política pode estar bem próxima das "pessoas comuns". As "autoridades", bem, que fiquem entre elas.
* Magalhães Teixeira foi prefeito de Campinas por dois mandatos (1983 a 1988 e 1993 a 1996)
e eleito deputado federal (1990 a 1992) com
a maior votação da cidade. Em 1994, lançou
o Programa de Renda Minima, destinado a famílias
abaixo da linha de pobreza que cumprissem
algumas condições, como manter os filhos na escola
com bom desempenho e aceitar receber visitas
da assistência social. Também implantou um
canal de comunicação entre a população e
a prefeitura através de uma linha telefônia exclusiva
para este fim. Foi um dos fundadores do PSDB.
Morreu em 1996 devido a um câncer no fígado.
Lula "morreu" então agora vamos elogiar
Ontem não assisti a posse da Dilma. Dei uma paradinha no Band News e no Globo News no momento em que ela entrava pelo corredor lotadérrimo mas não dei conta de ouvir a narração da caminhada (e é nesse momento que penso, como jornalista, que bom não estar nesse terrível papel de locutora de cada passo).
Sendo sincera, algo mais me incomodou: o Sarney, que parecia não se conter em andar atrás da presidenta e de seu vice - e não se conteve em certo momento, aproveitando uma brecha maior que o Temer deu, se distanciando ligeiramente da Dilma e abrindo passagem para a ultrapassagem um pouco antes da curva. Foi a hora de deixar para trás o momento histórico e voltar para The Brothers Bloom - muito bom, por sinal (será que é mais um filme perigoso para a minha lista de favoritos perigosos?).
Rota corrigida, voltando à Brasília, a posse já foi, assim como o Lula (há controvérsia, mas...), agora é Dilma (com sua filha Paaauuula - bonito nome...).
(ando cheia de parênteses e reticências, não?)
De volta à pista (percebo um excesso de referências à corridas que devem ter origem em um dos presentes de Natal de João Pedro), Lula não é mais presidente e, de repente, alguns colunistas perceberam o quão bom presidente ele foi! Vejam só! E ainda há pessoas que lêem jornal para se informar! Oh! Oh! E oh!
Sendo sincera, algo mais me incomodou: o Sarney, que parecia não se conter em andar atrás da presidenta e de seu vice - e não se conteve em certo momento, aproveitando uma brecha maior que o Temer deu, se distanciando ligeiramente da Dilma e abrindo passagem para a ultrapassagem um pouco antes da curva. Foi a hora de deixar para trás o momento histórico e voltar para The Brothers Bloom - muito bom, por sinal (será que é mais um filme perigoso para a minha lista de favoritos perigosos?).
Rota corrigida, voltando à Brasília, a posse já foi, assim como o Lula (há controvérsia, mas...), agora é Dilma (com sua filha Paaauuula - bonito nome...).
(ando cheia de parênteses e reticências, não?)
De volta à pista (percebo um excesso de referências à corridas que devem ter origem em um dos presentes de Natal de João Pedro), Lula não é mais presidente e, de repente, alguns colunistas perceberam o quão bom presidente ele foi! Vejam só! E ainda há pessoas que lêem jornal para se informar! Oh! Oh! E oh!
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
Acesso é direito
Tendo em vista alguns acontecimentos recentes, fui pesquisar e encontrei esta publicação da Unesco, que trata da liberdade de informação, ou como vem sendo tratada, direito à informação.
Abaixo, um trecho básico:
PRINCÍPIO 5. PROCEDIMENTOS QUE FACILITEM O ACESSO
Os pedidos de informação devem ser processados com rapidez e justiça, com a possibilidade de um exame independente em caso de recusa.
Na prática, a garantia efetiva do direito à informação requer não apenas a divulgação proativa por parte dos órgãos públicos (a obrigação de publicação), mas também a solicitação e o recebimento por qualquer pessoa de quaisquer informações em poder dos órgãos públicos, sujeito às exceções. Isso, por sua vez, exige que sejam criados procedimentos claros a serem seguidos pelos órgãos, para processar pedidos de informação.
(...) Os Padrões da ONU defendem a exigência de que os órgãos públicos “instaurem sistemas abertos e acessíveis a fim de assegurar o direito da população de receber informações”, fazendo referência específica, a este respeito, à necessidade de “limites de tempo rigorosos para o processamento de pedidos de informação”, e o fornecimento de notificação de eventuais recusas para proporcionar acesso que inclua “motivos concretos, por escrito, para a(s) recusa(s)”. A Declaração Conjunta dos mandatários especiais sugere que os procedimentos “sejam simples, rápidos e gratuitos ou de baixo custo”.
A Recomendação do CdE contém, de longe, o maior detalhamento sobre processos, estipulando uma série de padrões específicos, inclusive os seguintes:
• os pedidos devem ser tratados por quaisquer órgãos públicos que detenham as informações, de forma igualitária e com o mínimo de formalidade;
• os solicitantes não devem ter de justificar seus pedidos;
• os pedidos devem ser atendidos prontamente e dentro de limites de tempo definidos;
• deve-se oferecer assistência “na maior medida possível”;
• quaisquer recusas de acesso devem ser justificadas; e
• os solicitantes devem receber acesso na forma de sua preferência, seja pela consulta ao registro ou fornecimento de uma cópia (Princípios V-VII).
(...)
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Mais é bom demais
Participação especial de Ana Cristina no blog com esta sugestão ótima:
Horário do Fim
morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento
(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")
Horário do Fim
morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento
(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Entregue pelo sono
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Como diria João Pedro: coisa estranha!
Só tenho postado em dias terminados em 3: 13 de outubro, 23 de outubro, 3 de novembro...
Será que só volto no dia 13?
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
********
Como diria João Pedro: coisa estranha!
Só tenho postado em dias terminados em 3: 13 de outubro, 23 de outubro, 3 de novembro...
Será que só volto no dia 13?
sábado, 23 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Chermel sedebit *
Adoro ler, desde que comecei aos quatro anos. Aos cinco, em casa, já havia completado a cartilha Caminho Suave sem esforço. O dia em que completei seis anos foi meu primeiro dia de escola e neste momento eu já lia com facilidade o que me apresentassem. Fui transferida para uma sala mais adiantada e mesmo assim continuava adiantada. Ajudava a professora a corrigir e ensinar quem não acompanhava - metade da sala era minha, metade era dela. Às vésperas de completar nove anos, ganhei de Natal seis livros - que felicidade! Três dias depois, tive que começar a relê-los (e estava em férias na casa de minha avó, em Santos - praia de manhã e no fim da tarde). Comecei a ler enciclopédias na falta de livros novos - adorava Medicina e Saúde em seus cinco volumes. Na minha adolescência (bem diferente da adolescência nos dias atuais) li livros que não fizeram o menor sentido na época, mas fui até o final sem nunca deixar um título pela metade - Dom Casmurro, Inocência, O Cortiço, O Grande Gatsby, Nasce uma estrela, O americano tranquilo, O morro dos ventos uivantes, A sangue frio, O sol também se levanta, Mas não se matam cavalos? - um a cada quinze dias, no máximo um mês.
Adoro ler.
Adoro ler mas odeio estar adorando a leitura e...
E nada. E ninguém. Solidão.
Mas esta é outra história.
Adoro ler.
********
Bibliografias são a minha perdição.
Acabo de descobrir o Sermão da Sexagésima, de Pe. Antonio Vieira. Lendo, me pergunto como não li antes.
(continua... algum dia)
* campo fértil, em latim
Adoro ler.
Adoro ler mas odeio estar adorando a leitura e...
E nada. E ninguém. Solidão.
Mas esta é outra história.
Adoro ler.
********
Bibliografias são a minha perdição.
Acabo de descobrir o Sermão da Sexagésima, de Pe. Antonio Vieira. Lendo, me pergunto como não li antes.
(continua... algum dia)
* campo fértil, em latim
O tempo, a monografia, a noite, a poesia
E por vezes
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
********
O relógio
Para-me um tempo por dentro
Passa-me um tempo por fora
O tempo que foi constante
no meu contratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.
Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora.
Para-me um tempo por dentro
Passa-me um tempo por fora
O tempo que foi constante
no meu contratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.
Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora.
Ari dos Santos
domingo, 19 de setembro de 2010
Criminal Minds também é cultura...
"Estes estranhos prazeres têm fins violentos."
William Shakeapeare
"Aquele que não pune a maldade apóia sua ação."
Leonardo da Vinci
"Os monstros são reais e o fantasmas também são reais. Eles vivem dentro de nós e, às vezes, eles ganham."
Stephen King
"Os homens estão mais dispostos a pagar um prejuízo do que um benefício porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer."
Tacitus
William Shakeapeare
"Aquele que não pune a maldade apóia sua ação."
Leonardo da Vinci
"Os monstros são reais e o fantasmas também são reais. Eles vivem dentro de nós e, às vezes, eles ganham."
Stephen King
"Os homens estão mais dispostos a pagar um prejuízo do que um benefício porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer."
Tacitus
Duas páginas, dois momentos de indignação
Folha de São Paulo, Cotidiano
Crime e reparação: em 2006, mãe foi acusada de matar a filha de de 16 meses, saindo presa do hospital no instante em que soube da morte, ficou 37 dias na cadeia onde foi espancada, perdeu a audição e a visão do lado direito, move ação contra o Estado, mas até o momento nada de indenização ou qualquer medida de "reparação". Os profissionais envolvidos - equipe médica, delegados, policiais - continuam no mesmo lugar.
Casarão da Paulista teve tombamento cancelado: após anos de impasse, casarão histórico que foi demolido após desabamento (detalhe: intencional!) definitivamente vai ficar no passado já que foi autorizada a construção de uma torre e um shopping no local, o que causará mais problemas ao tráfego na região. O tombamento foi oficialmente cancelado (!) - havia dúvida sobre a relevância para a cultura paulistana (!), afinal, o que a família Matarazzo tem de relevante?! - e todos os registros do antigo imóvel foram excluídos pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico. Para "reparar" os possíveis efeitos - deveria ser estragos - causados, a construtora terá que gastar 1% do valor da obra em melhorias para o trânsito, como alargar um trecho de rua que circula a área (mais espaço para os carros, que saindo dali vão para ruas não alargadas; menos espaço na calçada, já que carro é mais importante que pedestre - óbvio!).
Crime e reparação: em 2006, mãe foi acusada de matar a filha de de 16 meses, saindo presa do hospital no instante em que soube da morte, ficou 37 dias na cadeia onde foi espancada, perdeu a audição e a visão do lado direito, move ação contra o Estado, mas até o momento nada de indenização ou qualquer medida de "reparação". Os profissionais envolvidos - equipe médica, delegados, policiais - continuam no mesmo lugar.
Casarão da Paulista teve tombamento cancelado: após anos de impasse, casarão histórico que foi demolido após desabamento (detalhe: intencional!) definitivamente vai ficar no passado já que foi autorizada a construção de uma torre e um shopping no local, o que causará mais problemas ao tráfego na região. O tombamento foi oficialmente cancelado (!) - havia dúvida sobre a relevância para a cultura paulistana (!), afinal, o que a família Matarazzo tem de relevante?! - e todos os registros do antigo imóvel foram excluídos pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico. Para "reparar" os possíveis efeitos - deveria ser estragos - causados, a construtora terá que gastar 1% do valor da obra em melhorias para o trânsito, como alargar um trecho de rua que circula a área (mais espaço para os carros, que saindo dali vão para ruas não alargadas; menos espaço na calçada, já que carro é mais importante que pedestre - óbvio!).
sábado, 18 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Indignação em rascunho
"Quem não entende um olhar jamais entenderá uma longa explicação."
(provérbio árabe)
(provérbio árabe)
********
O que fazer quando professores não conseguem reconhecer Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana? Ou melhor, não conseguem reconhecer o que não é!
Não sou nenhuma especialista, mas há características claras.
Daqui há pouco estarão atribuindo textos melosos de pseudo-auto-ajuda a João Cabral de Melo Neto!
E coitadinho de Shakespeare: reencarnou, perdeu todo seu talento e ganhou muita pieguice.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
to a friend
Pesquisando para uma monografia, encontrei isto:
"Há algo nos seres humanos que não se encontra surgido há milhões de anos no processo evolutivo quando emergiram os mamíferos, dentro de cuja espécie nos inscrevemos: o sentimento, a capacidade de emocionar-se, de envolver-se, de afetar e de sentir-se afetado.
(...)
Só nós humanos podemos sentar-nos à mesa com o amigo frustrado, colocar-lhe a mão no ombro, tomar com ele um copo de cerveja e trazer-lhe consolação e esperança. Construir o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor. Preocupamo-nos com elas. Tomamos tempo para dedicar-nos a elas. Sentimos responsabilidade pelo laço que cresceu entre nós e os outros. A categoria cuidado recolhe todo esse modo de ser. Mostra como funcionamos enquanto seres humanos .
(...)
Esse sentimento profundo, repetimos, se chama cuidado. Somente aquilo que passou por uma emoção, que evocou um sentimento profundo e provocou cuidado em nós, deixa marcas indeléveis e permanece definitivamente.
(...) 'A mente racional' - conclui Golemnan - 'leva um ou dois momentos mais para registrar e reagir do que a mente emocional, o primeiro impulso... é do coração, não da cabeça'.
(...)
Um psicanalista atento ao drama da civilização moderna como o norte-americano Rollo May podia comentar: 'Nossa situação é a seguinte: na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos perdemos de vista e nos despreocupamos do ser humano; precisamos agora voltar humildemente ao simples cuidado... é o mito do cuidado – e creio, muitas vezes, somente ele – que nos permite resistir ao cinismo e à apatia que são as doenças psicológicas do nosso tempo.'"
Do texto "Ética do humano", de Leonardo Boff
"Há algo nos seres humanos que não se encontra surgido há milhões de anos no processo evolutivo quando emergiram os mamíferos, dentro de cuja espécie nos inscrevemos: o sentimento, a capacidade de emocionar-se, de envolver-se, de afetar e de sentir-se afetado.
(...)
Só nós humanos podemos sentar-nos à mesa com o amigo frustrado, colocar-lhe a mão no ombro, tomar com ele um copo de cerveja e trazer-lhe consolação e esperança. Construir o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor. Preocupamo-nos com elas. Tomamos tempo para dedicar-nos a elas. Sentimos responsabilidade pelo laço que cresceu entre nós e os outros. A categoria cuidado recolhe todo esse modo de ser. Mostra como funcionamos enquanto seres humanos .
(...)
Esse sentimento profundo, repetimos, se chama cuidado. Somente aquilo que passou por uma emoção, que evocou um sentimento profundo e provocou cuidado em nós, deixa marcas indeléveis e permanece definitivamente.
(...) 'A mente racional' - conclui Golemnan - 'leva um ou dois momentos mais para registrar e reagir do que a mente emocional, o primeiro impulso... é do coração, não da cabeça'.
(...)
Um psicanalista atento ao drama da civilização moderna como o norte-americano Rollo May podia comentar: 'Nossa situação é a seguinte: na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos perdemos de vista e nos despreocupamos do ser humano; precisamos agora voltar humildemente ao simples cuidado... é o mito do cuidado – e creio, muitas vezes, somente ele – que nos permite resistir ao cinismo e à apatia que são as doenças psicológicas do nosso tempo.'"
Do texto "Ética do humano", de Leonardo Boff
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