quinta-feira, 16 de junho de 2011

O frio e as m-m-m-mã-mãos

Por alguns instantes, as mãos rejuvenescem.
A cor da pele fica uniforme e até os tortinhos dos dedos parecem desaparecer. As unhas se sobressaem.
O nome desse milagre? Nenhum produto utilizando a última tecnologia em alguma coisa.
O nome disto é: frio congelante da água da torneira da pia da cozinha.
Efeito colateral: dor em todos os ossinhos - falanges, falanginhas e falangetas -, paralisia momentânea e rigidez nas juntas.
Mas a mão fica lindinha, 20 anos mais nova!

Comentários que se seguiram à postagem:

* "Ou é o frio roubando a atenção que ia para os defeitinhos."

* "Ai como mulher é boba, sofre prá ter segundos de prazer .............ou seria a lei da compensação, ou a eterna sombra de Poliana, sempre querendo achar o lado bom das coisas (confesso que não sabia o lado bom de lavar louça, vou prestar mais atenção........) bjos"

Well, well, well...
Só sei que se depender de lavar louça na água gelada para ficar com a mão um pouco mais bonitinha, ela pode ficar parecendo mão de bruxinha.

Quanto à Poliana, vira e mexe dou de cara com ela!
Não tinha percebido que achei um "lado bom"!
Li o livro na sétima série, ou seja, aos 12 anos. Foi leitura de uma tarde. Adorei.
Analisando hoje, percebo o quanto influenciou meu pensamento. Na verdade, influencia, já que cito o "ver o lado bom das coisas" com uma frequencia inacreditável, pensando bem...
Mas acabo de lembrar de algo que não gostei: não tenho a menor ideia sobre que fim teve meu querido livro...
Mas a capa está intacta na minha memória. E a história, me parece, na minha vida.


domingo, 8 de maio de 2011

Cores

Québec


Devo ter vivido uma vida muito feliz em algum lugar com estas referências...
Adoro os tijolinhos, as muitas janelas. As cores das folhas.

sábado, 16 de abril de 2011

Visualizando

Sono + necessidade de parar tudo = texto estranho no dia seguinte parado nos rascunhos por erro ao clicar nos botões.

Sentir a água sobre meus pés, gelada se espalhando e levando a areia em que piso. Devagarinho afundar e esperar. A água gelada sobre meus pés.

Sentir a brisa que vai, fresca acaricinado meu rosto e deixando a ausência de um beijo. Sozinha suspirar e esperar. A brisa fresca que vai.

sábado, 2 de abril de 2011

E João Pedro pensa

- Mãe, já entendi o castigo de ficar sem televisão e Wii no final de semana. Fiquei sem hoje e amanhã eu posso...
- Não senhor! O castigo é no final de semana inteiro.
- Então, mãe! Amanhã é domingo, começa outra semana, não pode ser final!

Com lógica ou sem lógica, o castigo permanece.
Céus! O que me espera na adolescência...

(E para combinar, o blog resolveu que não quer aceitar parágrafo - está juntando tudo em uma linha. Lá vou eu para o html...)

sábado, 26 de março de 2011

sábado, 12 de março de 2011

Relembrando...

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

Que falta São Paulo faz!

Sábado à tarde. Voltinha com filhão enquanto aguardo o horário para tirar mais uns dedinhos de cachinhos. Que tal um lanchinho?
Que infeliz ideia...
Uma quadra, uma loja com brinquedos, outra quadra, uma sapataria, uma paradinha na esquina, mais uma quadra, outra loja mais brinquedos... O tempo passou, sim. Porém a intenção era sentar em um local minimamente agradável, Coca geladinha, salgadinho saboroso, um pão de queijo que fosse e um suco de laranja.

Adoro o pastel da pastelaria dos chineses não chineses, mas quem conhece o espaço entende que não era opção. Opção é a palavra chave aqui. Muitas lanchonetes, pouca opção.

Enquanto isso em São Paulo Universo Paralelo, euzinha comia um quibe de-li-ci-o-so, filhão duas esfirras abertas de calabresa, a uma quadra do apartamento da minha mãe, apreciando as muitas árvores poucos carros e adorava ca-da pe-da-ci-nho!

terça-feira, 1 de março de 2011

Hello everybody!

Fevereiro acabou. Reencontrei velhas amigas - de poucos anos e de algumas décadas. Trabalhei muito, apesar de ainda não ver resultados - ainda, assim espero. Ri pouco, sorri muito, chorei demais, gritei absurdamente.

Se não soubesse exatamente quem e como sou, pessoas estariam me deixando maluca. Afinal, de insuportável a "madre teresa de calcutá" em uma só vida já seria difícil, ao mesmo tempo então...

Também ganhei elogios por ser Juliette Binoche... Ooops, não sou. Mas tudo bem - de alguma forma conseguiram imaginar que eu poderia ficar tão bela quanto e isto já é mais do que eu mereço.

Que venham as águas de março fechar o verão com promessas de vida para o meu coração!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

E aí?

O que fazer quando quem é responsável por manter a lei é o autor de um ato irresponsável no trânsito?
Policial civil inventa um segunda pista para ultrapassar em um cruzamento - se ele continuasse na tal pista iria direto para o canteiro central -, depois de ouvir a buzina de reclamação, retruca como se o errado fosse quem fez certo, encosta o carro mais a frente para xingar mais um pouco.
E aí?
Aí dá vontade de estar naqueles seriados onde a pessoa volta o tempo, muda o carro para algo como... um tanque, bem na hora da besteira ser feita.

Eu sei, eu sei, um tanto quanto radical. Mas por isso penso nestas séries. Fica só no pensamento. Quem lembra de Ally McBeal?


www.differentials.com/aboutvehicles.html

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Saudade de um blog?

Não sei se alguém já passou por essa experiência, a de ler uma mensagem via internet e ter a impressão de que está ouvindo a pessoa falar. Diferente de quando a gente imagina alguém com quem se comunica virtualmente, existem pessoas - na verdade, duas até hoje... - que me fazem ou, no caso a que vou me referir, fizeram ler "ouvindo".

A Marcela é uma delas. Ela escrevia o blog Desiderata, que eu não me lembro agora como descobri. Às vezes eu fazia um pequeno comentário por lá e da mesma forma ela em meu blog.

Inteligente, dedicada, atenciosa e educada.

No dia 29 de junho de 2008, ela deu a grande notícia: fora aprovada no concurso do Rio Branco e iria ser uma diplomata. Fiquei super feliz e parecia que a conhecia mesmo.

Mas como era de se esperar, ela parou de escrever. E ficou a saudade.

Coloquei aqui embaixo a última postagem do blog e a antepenúltima (inversamente), quando ela estava na expectativa pelo resultado das provas que acabara de fazer. Tomara que a felicidade que transmitiu ainda esteja com ela.

"Estranho… após um ano de estudo frenético, eu finalmente parei. E bateu uma síndrome de abstinência. O concurso do Itamaraty acabou no último fim de semana. Foram 26 horas de prova. Quase 50 páginas redigidas. Duas línguas estrangeiras e cinco matérias diferentes. Eu não descansei. Desde aquele fatídico dia de junho do ano passado, eu não descansei. Dediquei-me com afinco ao que mais quero nessa vida. Hoje, apesar de aliviada, estou super ansiosa. Trilhei o caminho com muito cuidado… espero que seja suficiente para agradar a banca do Instituto Rio Branco. Ai, ai, ai… espero que esse fim seja apenas o começo de uma nova vida."
Desiderata, 10/06/2008

"No dia 25 de junho, comemorei três anos de casada e recebi (pelo orkut, rsrsrs!) a notícia mais importante da minha vida: a de que eu estava matematicamente aprovada no concurso do Rio Branco. A lista oficial só sai no dia 16 de julho. A minha nota, contudo, garantiu a minha pré aprovação. Eu gritei, chorei, corri pelos corredores do prédio e abracei a empregada da vizinha. Estava sozinha em casa. Liguei para todas as pessoas mais importantes da minha vida e com elas chorei mais uma vez. Olhei para o céu e pensei: Caraca, eu serei uma diplomata. Esse não era o meu sonho de criança e eu não passei anos esperando por esse momento. Esse foi um sonho recente, chegou de repente. E foi trazido pelas mãos do Marco, meu companheiro, aquele que torceu, sofreu, penou e esperou ao meu lado por essa realização. São tantas pessoas que fizeram parte dessa trajetória. Tantas, mesmo! O meu marido, contudo, foi muito forte. Aguentou todas as horas de estudo, a bagunça da casa, as noites sem jantar, as saídas canceladas, os livros pelo chão, os choros imprevisíveis, o nervoso contínuo, os parcos sorrisos e as noites mal-dormidas. Foi ele que ficou ao meu lado durante esse ano, torcendo e sonhando. É a ele que eu devo agradecer primeiro. Então, Marco, mais uma vez te agradeço por fazer da minha vida uma vida mais fácil, mais alegre e mais bonita. Esse sonho também foi seu e a realização também é sua. Te amo muito!!!"
Desiderata, 29/06/2008


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mais ideias de João Pedro

- Mãe, posso fazer uma loja na garagem de casa?
- Para vender o quê?
- Ah, brinquedos, coisas que a gente não usa mais, coisas não tecnológicas que eu vou fazer para as pessoas brincarem quando chover e não tiver TV nem nada para fazer...

Entendeu, gente?

Momento de agir!
O Ás de Paus como arcano de aconselhamento para este momento de sua vida vem sugerir a necessidade de se atirar nas coisas com mais entusiasmo, sem medos, imprimindo tesão em tudo o que se faz, Ana. Você dispõe de imenso potencial criativo e está num momento excepcional para fazer valer as idéias que saltarão de sua mente e coração. Cuidado apenas para, no entusiasmo, não terminar “queimando” as pessoas ao seu redor. Temos, muitas vezes, idéias brilhantes e “vemos” as coisas de uma maneira que ninguém mais viu. Ficamos irritados quando os outros não acompanham a perfeição de nossa visão ou a clareza que tivemos a respeito de um projeto ou idéias. E é aí que mora o perigo, Ana: de nada adianta você ter uma ótima idéia, se não souber ter paciência para explicá-la.

Conselho: Atire-se! Mas tome cuidado para não ferir ninguém!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Coisas de João Pedro

(Depois de ficar de castigo)
- Você é muito má! É a mãe mais má do mundo! Não: do universo!

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- Mamãe, você é muito bonitinha!
- É? Eu sou?
- É, de verdade. E é a pessoa que eu mais amo no universo!

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- Gostou do meu vestido novo? (na verdade, era uma regata comprida que até daria para ser vestido - na praia...)
- É... bonito... (o olhar começou em cima e logo foi para baixo)
Com um jeitinho todo especial, que vem com uma franzidinha no olho e um sorrisinho de leve, já conhecido, continua:
- Só que cuidado com o vento, tá? Porque se ventar, olha... (e dá uma dobrada na barra para cima) Viu? Aí aparece um pouquinho aqui... É melhor você ficar dentro de casa. Mas eu permito você usar, tá?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Alguém do bem

Fazia faculdade, primeiro ano. Trabalhava como agente administrativa no Departamento de Esportes da Prefeitura. Um evento em prol da duplicação da Rodovia Fernão Dias precisava de recepcionista para as autoridades que chegariam no aeroporto. Chefe foi me buscar e lá fui em pânico, sem saber o que fazer, sem saber o que falar com as "autoridades". O ano era 89.

Políticos de peso compareceram. Indicava o caminho, as pessoas, o café e eles passavam com aquele olhar que mostrava o quanto estavam interessados em estar ali rodeados de pessoas que, na maioria, nunca tinham visto. Na saleta onde se encontravam e aguardavam informações dos assessores, qualquer esforço em parecerem um pouco preocupados com qualquer coisa que fosse sumia já que o acesso era restrito.

Mas chega mais um avião. Pouco alvoroço em volta de quem apareceu no portão de entrada. Quem esperava para fazer aquela média com políticos não identificou o que chegava - ele estava sem terno, com camisa e jaqueta esporte. Mas eu sabia quem era e fui informar as autoridades locais que Magalhães Teixeira* estava entrando. Ao contrário de todos os outros que já haviam chegado - e dos que chegariam em seguida - , me cumprimentou e pediu atualização sobre o evento e mais detalhes. Já sabia que ele era diferente, mas naquele momento tive a certeza de que era bom.

Lembrando disto agora, percebo que a sensação que ele me transmitiu (e que fui aprendendo a decifrar com o tempo) foi o que me fez interessar pela política mesmo sem saber. O que percebi/senti ouvindo as poucas palavras que trocamos é que boas pessoas existem na política e que a política pode estar bem próxima das "pessoas comuns". As "autoridades", bem, que fiquem entre elas.

* Magalhães Teixeira foi prefeito de Campinas
por dois mandatos (1983 a 1988 e 1993 a 1996)
e eleito deputado federal (1990 a 1992) com
a maior votação da cidade. Em 1994, lançou
o Programa de Renda Minima, destinado a famílias
abaixo da linha de pobreza que cumprissem
algumas condições, como manter os filhos na escola
com bom desempenho e aceitar receber visitas
da assistência social. Também implantou um
canal de comunicação entre a população e
a prefeitura através de uma linha telefônia exclusiva
para este fim. Foi um dos fundadores do PSDB.
Morreu em 1996 devido a um câncer no fígado.

Lula "morreu" então agora vamos elogiar

Ontem não assisti a posse da Dilma. Dei uma paradinha no Band News e no Globo News no momento em que ela entrava pelo corredor lotadérrimo mas não dei conta de ouvir a narração da caminhada (e é nesse momento que penso, como jornalista, que bom não estar nesse terrível papel de locutora de cada passo).

Sendo sincera, algo mais me incomodou: o Sarney, que parecia não se conter em andar atrás da presidenta e de seu vice - e não se conteve em certo momento, aproveitando uma brecha maior que o Temer deu, se distanciando ligeiramente da Dilma e abrindo passagem para a ultrapassagem um pouco antes da curva. Foi a hora de deixar para trás o momento histórico e voltar para The Brothers Bloom - muito bom, por sinal (será que é mais um filme perigoso para a minha lista de favoritos perigosos?).

Rota corrigida, voltando à Brasília, a posse já foi, assim como o Lula (há controvérsia, mas...), agora é Dilma (com sua filha Paaauuula - bonito nome...).

(ando cheia de parênteses e reticências, não?)

De volta à pista (percebo um excesso de referências à corridas que devem ter origem em um dos presentes de Natal de João Pedro), Lula não é mais presidente e, de repente, alguns colunistas perceberam o quão bom presidente ele foi! Vejam só! E ainda há pessoas que lêem jornal para se informar! Oh! Oh! E oh!

sábado, 6 de novembro de 2010

Acesso é direito

Tendo em vista alguns acontecimentos recentes, fui pesquisar e encontrei esta publicação da Unesco, que trata da liberdade de informação, ou como vem sendo tratada, direito à informação.
Abaixo, um trecho básico:

PRINCÍPIO 5. PROCEDIMENTOS QUE FACILITEM O ACESSO
Os pedidos de informação devem ser processados com rapidez e justiça, com a possibilidade de um exame independente em caso de recusa.

Na prática, a garantia efetiva do direito à informação requer não apenas a divulgação proativa por parte dos órgãos públicos (a obrigação de publicação), mas também a solicitação e o recebimento por qualquer pessoa de quaisquer informações em poder dos órgãos públicos, sujeito às exceções. Isso, por sua vez, exige que sejam criados procedimentos claros a serem seguidos pelos órgãos, para processar pedidos de informação.

(...) Os Padrões da ONU defendem a exigência de que os órgãos públicos “instaurem sistemas abertos e acessíveis a fim de assegurar o direito da população de receber informações”, fazendo referência específica, a este respeito, à necessidade de “limites de tempo rigorosos para o processamento de pedidos de informação”, e o fornecimento de notificação de eventuais recusas para proporcionar acesso que inclua “motivos concretos, por escrito, para a(s) recusa(s)”. A Declaração Conjunta dos mandatários especiais sugere que os procedimentos “sejam simples, rápidos e gratuitos ou de baixo custo”.

A Recomendação do CdE contém, de longe, o maior detalhamento sobre processos, estipulando uma série de padrões específicos, inclusive os seguintes:
• os pedidos devem ser tratados por quaisquer órgãos públicos que detenham as informações, de forma igualitária e com o mínimo de formalidade;
• os solicitantes não devem ter de justificar seus pedidos;
• os pedidos devem ser atendidos prontamente e dentro de limites de tempo definidos;
• deve-se oferecer assistência “na maior medida possível”;
• quaisquer recusas de acesso devem ser justificadas; e
• os solicitantes devem receber acesso na forma de sua preferência, seja pela consulta ao registro ou fornecimento de uma cópia (Princípios V-VII).
(...)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mais é bom demais

Participação especial de Ana Cristina no blog com esta sugestão ótima:

Horário do Fim

morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento


(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entregue pelo sono

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

********

Como diria João Pedro: coisa estranha!
Só tenho postado em dias terminados em 3: 13 de outubro, 23 de outubro, 3 de novembro...
Será que só volto no dia 13?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Chermel sedebit *

Adoro ler, desde que comecei aos quatro anos. Aos cinco, em casa, já havia completado a cartilha Caminho Suave sem esforço. O dia em que completei seis anos foi meu primeiro dia de escola e neste momento eu já lia com facilidade o que me apresentassem. Fui transferida para uma sala mais adiantada e mesmo assim continuava adiantada. Ajudava a professora a corrigir e ensinar quem não acompanhava - metade da sala era minha, metade era dela. Às vésperas de completar nove anos, ganhei de Natal seis livros - que felicidade! Três dias depois, tive que começar a relê-los (e estava em férias na casa de minha avó, em Santos - praia de manhã e no fim da tarde). Comecei a ler enciclopédias na falta de livros novos - adorava Medicina e Saúde em seus cinco volumes. Na minha adolescência (bem diferente da adolescência nos dias atuais) li livros que não fizeram o menor sentido na época, mas fui até o final sem nunca deixar um título pela metade - Dom Casmurro, Inocência, O Cortiço, O Grande Gatsby, Nasce uma estrela, O americano tranquilo, O morro dos ventos uivantes, A sangue frio, O sol também se levanta, Mas não se matam cavalos? - um a cada quinze dias, no máximo um mês.

Adoro ler.

Adoro ler mas odeio estar adorando a leitura e...
E nada. E ninguém. Solidão.
Mas esta é outra história.

Adoro ler.

********

Bibliografias são a minha perdição.
Acabo de descobrir o Sermão da Sexagésima, de Pe. Antonio Vieira. Lendo, me pergunto como não li antes.

(continua... algum dia)


* campo fértil, em latim

O tempo, a monografia, a noite, a poesia

E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão Ferreira

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O relógio

Para-me um tempo por dentro
Passa-me um tempo por fora

O tempo que foi constante
no meu contratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.
Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora.

Ari dos Santos

domingo, 19 de setembro de 2010

Criminal Minds também é cultura...

"Estes estranhos prazeres têm fins violentos."
William Shakeapeare

"Aquele que não pune a maldade apóia sua ação."
Leonardo da Vinci

"Os monstros são reais e o fantasmas também são reais. Eles vivem dentro de nós e, às vezes, eles ganham."
Stephen King

"Os homens estão mais dispostos a pagar um prejuízo do que um benefício porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer."
Tacitus

Duas páginas, dois momentos de indignação

Folha de São Paulo, Cotidiano

Crime e reparação: em 2006, mãe foi acusada de matar a filha de de 16 meses, saindo presa do hospital no instante em que soube da morte, ficou 37 dias na cadeia onde foi espancada, perdeu a audição e a visão do lado direito, move ação contra o Estado, mas até o momento nada de indenização ou qualquer medida de "reparação". Os profissionais envolvidos - equipe médica, delegados, policiais - continuam no mesmo lugar.

Casarão da Paulista teve tombamento cancelado: após anos de impasse, casarão histórico que foi demolido após desabamento (detalhe: intencional!) definitivamente vai ficar no passado já que foi autorizada a construção de uma torre e um shopping no local, o que causará mais problemas ao tráfego na região. O tombamento foi oficialmente cancelado (!) - havia dúvida sobre a relevância para a cultura paulistana (!), afinal, o que a família Matarazzo tem de relevante?! - e todos os registros do antigo imóvel foram excluídos pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico. Para "reparar" os possíveis efeitos - deveria ser estragos - causados, a construtora terá que gastar 1% do valor da obra em melhorias para o trânsito, como alargar um trecho de rua que circula a área (mais espaço para os carros, que saindo dali vão para ruas não alargadas; menos espaço na calçada, já que carro é mais importante que pedestre - óbvio!).

sábado, 11 de setembro de 2010

Indignação em rascunho

"Quem não entende um olhar jamais entenderá uma longa explicação."
(provérbio árabe)

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O que fazer quando professores não conseguem reconhecer Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana? Ou melhor, não conseguem reconhecer o que não é!
Não sou nenhuma especialista, mas há características claras.
Daqui há pouco estarão atribuindo textos melosos de pseudo-auto-ajuda a João Cabral de Melo Neto!
E coitadinho de Shakespeare: reencarnou, perdeu todo seu talento e ganhou muita pieguice.

sábado, 28 de agosto de 2010

to a friend

Pesquisando para uma monografia, encontrei isto:

"Há algo nos seres humanos que não se encontra surgido há milhões de anos no processo evolutivo quando emergiram os mamíferos, dentro de cuja espécie nos inscrevemos: o sentimento, a capacidade de emocionar-se, de envolver-se, de afetar e de sentir-se afetado.
(...)
Só nós humanos podemos sentar-nos à mesa com o amigo frustrado, colocar-lhe a mão no ombro, tomar com ele um copo de cerveja e trazer-lhe consolação e esperança. Construir o mundo a partir de laços afetivos. Esses laços tornam as pessoas e as situações preciosas, portadoras de valor. Preocupamo-nos com elas. Tomamos tempo para dedicar-nos a elas. Sentimos responsabilidade pelo laço que cresceu entre nós e os outros. A categoria cuidado recolhe todo esse modo de ser. Mostra como funcionamos enquanto seres humanos .
(...)
Esse sentimento profundo, repetimos, se chama cuidado. Somente aquilo que passou por uma emoção, que evocou um sentimento profundo e provocou cuidado em nós, deixa marcas indeléveis e permanece definitivamente.
(...) 'A mente racional' - conclui Golemnan - 'leva um ou dois momentos mais para registrar e reagir do que a mente emocional, o primeiro impulso... é do coração, não da cabeça'.
(...)
Um psicanalista atento ao drama da civilização moderna como o norte-americano Rollo May podia comentar: 'Nossa situação é a seguinte: na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos perdemos de vista e nos despreocupamos do ser humano; precisamos agora voltar humildemente ao simples cuidado... é o mito do cuidado – e creio, muitas vezes, somente ele – que nos permite resistir ao cinismo e à apatia que são as doenças psicológicas do nosso tempo.'"

Do texto "Ética do humano", de Leonardo Boff

domingo, 22 de agosto de 2010

Um pouco de Miguel Torga

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que não se prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...
********

Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
de insatisfação.

********
Sobre:

"Sempre em oposição com o poder constituído, pelo que o poder representa de afastamento do humano que lhe serve de suporte. "

"É mais sensível a uma ética do que a uma ideologia, mais (...) fraterno que disciplinadamente correligionário. "

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Diálogo entre pai e filho II

- Pai, sabe uma loja onde tem escrito megacircle?
- Ahn...
- Acho que é lá que compra a roupa do tae kwon do. Sabe por quê? Eu vi um menino com uma roupa que tava escrito megacircle...

É. Isso não se avalia na escola.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O que o sono não faz...

Por que será que à noite tudo parece fazer sentido?
Será que, assim como ilumina o dia, o sol clareia os pensamentos?

sábado, 17 de julho de 2010

Saber demais cansa

Filhote em férias na casa da vovó (saudades após um dia...). Acordo após uma semana cansativa e uma sexta de trabalho das 7h30 às 20h00, com meia hora de almoço. Café da manhã e pão com Nutella sem culpa.
Muito a fazer mas aproveito o silêncio - coisa rara por aqui - para algo que há muito tempo não consigo: sentar e ler o jornal. O hábito atrapalha um pouco (tempo, tempo, tempo!) então manchetes, leads e olhar rápido à procura da informação que despertou interesse, satisfação ou frustração com o conteúdo e não os fatos, Cotidiano e Ilustrada para ler com mais calma.

Liquidação na Isabela Capeto, "museu como 'geladeira'", Mônica Bergamo e gente que não me interessa."É dramático parecer o que não se deve" - clic, voltar para ler depois. Uh! Lauryn Hill no feriado de 7 de setembro! Uhn. Trabalho na segunda e tem Bon Jovi depois... Não vamos dar conta. Quem mandou! Crueldade do homem, escritor português - voltar depois. Crítica/Ensaio – clic. "Editor é segundo cérebro de um texto", necessidade ética, banalidade a internet - clic, clic. Oh! Ti Ti Ti! Victor Valentim e Jacques Leclair! Boas lembranças - essa eu até queria assistir (ausência do hábito brasileiro há mais de 10 anos). Exposição no Masp - interessante, verificar. Drauzio Varella - por último. Quadrinhos - faz tempo! Paródia, Dilma, YouTube - começando por aqui.

Não demora muito e lá estou, de novo, juntando assuntos díspares e questionando o que há por trás das informações, dos fatos e descobrindo relações que gostaria de não saber. Ou melhor, gostaria que não existisse, já que a ignorância não se encaixa neste projeto inacabado, mas que evolui a contento, chamado EU.

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Estudante de publicidade de 25 anos planeja em detalhes um vídeo viral. Tá. Pró-Dilma! A ideia era fazer as pessoas falarem mais de política. Ah, tá!
Por que suspeitar que há algo mais? Ele mora em Rio Verde, Goiás - não tenho a menor noção de onde fica. Não é São Paulo, Rio... Que pensamento ridículo e preconceituoso!
Isso não é bom. Sem diminuir Goiás, a suspeita aumenta!

Hoje em dia fazer algo como o que ele fez não é anormal,pelo contrário. Se até briga entre mulher e amante do marido é hit na internet e vira assunto de discussão no cotidiano... (para variar, precisei pedir para que me explicassem do que se tratava após ouvir vários comentários). Mas precisava ser campanha política! Deve ser isto - política atrai desconfiança. Será???

Odeio ficar sem uma conclusão!!!

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Marido interrompe a leitura para contar que o controle de medicamentos não serve apenas à Anvisa. As empresas controlam quem está receitando e quanto - e os publicistas se degladiam por isto já que o peso na avaliação do trabalho é grande.
Pensando assim, tem lógica eu pensar que medicamento controlado é um grande negócio para os médicos.

Pronto. Lá vem conspiração!

No último mês participei de dois problemas graves com pessoas próximas causados pela irresponsabilidade dos médicos na prescrição de medicamento "tarja preta". Não é um completo absurdo questionar em que medida a política de controle das empresas, da própria Anvisa - sei lá! -interfere na quantidade e facilidade em se ver receituários azuis
hoje em dia.

Começar a duvidar ainda mais de médicos é um problema. E é melhor eu parar por aqui porque lembrei da república de alunos de Medicina em frente de casa, as várias ligações para a polícia, o nível de educação e caráter dos vários que já passaram por lá e eu só quero um sábado de descanso.

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Será que já inventaram um remédio para síndrome do super herói? Ou seria mais acertado dizer: será que já inventaram a síndrome do super herói para receitarem um remédio - controlado - para ela?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Oito dedos

Maybe more...
Isto é quanto a tesoura deixou cair de cachinhos da moça prendada para casar.

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Li em algum lugar que mudança é uma variação de uma situação externa e que transição é uma reorientação psicológica interna. Para se chegar na primeira, tem que se passar pela segunda que, ao contrário de nosso padrão de ciclo de vida, começa por um fim e termina com um recomeço. No meio, uma fase neutra.

Um especialista em processos de mudanças em organizações afirma que podemos ter duas reações diante da novidade:
* Resposta negativa, que começa com a imobilização, seguida da negação, da raiva, da depressão, da barganha, do teste e da aceitação;
* Resposta positiva, cujo ciclo é otimismo desinformado, pessimismo informado, realismo esperançoso, desistência ou não e conclusão.

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"Todos os processos humanos de criação de ordem são também, mesmo que involuntariamente, criadores de desordem. Essa mesma força produtiva que aliviou o homem medieval das privações do reino da necessidade, gerou sociedades nas quais o sentido de vida tornou-se voltado à acumulação da riqueza por si própria. No início do século XX, um em cada dois habitantes do planeta era pobre ou miserável;hoje, já são três em cada quatro, e até meados do século XXI prevê-se que serão sete em cada oito, isto por mais que a humanidade se torne capaz de cada vez produzir mais riqueza. O fluxo permanente de auto-reorganização por meio da desordem produz, de fato, ordem - mas também novas desordens.

A teoria do caos ressalta que pouco adianta tentar dirigir uma organização sob condições instáveis; nessas, , ao contrário, o que prevalece é a auto-organização. Traçando um paralelo entre a realidade das Organizações e nós, seres humanos, a regra é praticamente a mesma. As pessoas, em sua maioria, buscam viver vidas estáveis, satisfazendo-se em executar sempre as mesmas atividades no mesmo emprego, em preservar seus patamares de poder aquisitivo (padrões de consumo), em repetir a cada final de semana as mesmas atividades de lazer, em esperar que as relações afetivas sejam eternamente estáveis etc.. Em geral, o resultado é a frustração de uma estabilidade "assegurada", porém vazia, ou o desespero diante da instabilidade que não pôde ser evitada.
Se abrirmos mão da idéia de que qualquer ordem em nossa vida tenha necessariamente que ser racionalmente construída ou planejada, poderemos alcançar uma atitude mais positiva em relação à desordem e à instabilidade inerentes à nossa existência,, e perceber o quanto tal atitude poderia ser enriquecedora e nos trazer mais felicidade. Utilizando a teoria do Caos, a vida é um apelo natural da ordem em meio à desordem.

Veja os versos de Fernando Pessoa: Navegar é preciso, viver não é preciso.O sentido da palavra "preciso" não é a partir do verbo precisar (necessitar), mas do substantivo precisão (exatidão). Vejamos: Navegar é exato, viver não é exato. "

Fonte: Gestão da mudança, Caos e complexidade nas organizações - Rubem Bauery"

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Ideias não faltam. E sono também não... Incongruência.
Boa noite.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Diálogo entre pai e filho

- João Pedro, sabia que o presidente da Natura é candidato à vice?
-Ah! Então ele vai largar o emprego?
- É... ou vai deixar para o filho...
- A menos que ele seja criança, né!

domingo, 4 de julho de 2010

Blog em crise ...

Crise de identidade.
Coitadinho... Sofre por conta da dona, que insiste em ignorar que não é a multimulher e que o dia não tem 30 horas - nem tampouco 36! Não sabe se casa ou se compra uma bicicleta, ou melhor: casou, comprou uma bicicleta e auxilia pessoas em dúvida sobre o assunto, também prestando assessoria após a decisão (usar tábua corrida na sala ou grama no jardim, fazer tatuagem ou comer brigadeiro, entre outros impasses de grande seriedade). Atualmente, expert em dúvidas do tipo: o que fazer com chuchus e beterrabas ou como diagnosticar o nível de loucura de um médico.
E assim 2010 chegou à metade.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Isso vicia?

"Quando a vítima exibe sinais de alívio ou alegria após ter sido ajudada, a pessoa que ajudou pode sentir alegria empática. Uma vez tendo experienciado alegria empática, a pessoa pode sentir-se motivada a ajudar novamente de modo a sentir a alegria empática outra vez. Essa auto-recompensa inerente na empatia não é um processo consciente e pode ter sido um fator adaptativo."

domingo, 9 de maio de 2010

Aparências e nada mais

Matéria do Estadão:
"(...) como ela consegue esse corpo escultural após três meses do parto de seu primeiro filho?

É lógico que, hoje em dia, ninguém mais se ilude sobre o fato de que a propaganda retoca a imagem. Ou seja, o tal do “photoshop” melhora as condições físicas da mulher fotografada. Mas, mesmo assim, o questionamento será inevitável. Afinal, ela está deslumbrante."

Deslumbrante? Tudo bem. Photoshop? Tudo bem. Corpo escultural? OK, ela nunca foi de muitas curvas. Continua a mesma Gisele Bündchen, continua vendendo, continua top.
Problemas. Continua a mesma? Não, agora ela é mãe de um bebê de três meses. Qual o custo deste corpo escultural para seu lindo Benjamin?
Não só ela como várias atrizes são elogiadas pela mídia durante e após a gravidez por manterem um corpo "invejável" até mesmo para quem não passou por nove meses de mudanças.
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Somos orientadas pelos médicos a amamentar no mínimo até os seis meses de vida do bebê. Os estudos e pesquisas são claros ao mostrar os benefícios tanto do leite materno, quanto do contato entre mãe e filho durante a amamentação.
É verdade que muitas mães não conseguem, apesar de quererem, essa "continuação" da gravidez. Também é verdade que outras não engordam - eu mesma ganhei apenas nove quilos. Porém, é algo que acontece naturalmente.
Não esquecendo que cada ser humano é um indivíduo, único, um corpo - um conjunto - que funciona de maneira exclusiva em cada um de nós.

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Ontem, em aula, o professor perguntou a nós - a maioria mulheres - se sabíamos que a gravidez humana deveria durar mais de nove meses. Alvoroço.
A explicação é que no início da espécie, a posição de nosso corpo se assemelhava a de quadrúpedes e, portanto, o peso da barriga e a gravidade não afetavam a coluna. A partir do momento que passamos à posição ereta, a adaptação da espécie diminuiu o período de gestação interna até o ponto em que nossa coluna suportasse sem maiores danos.
Assim, os bebês passaram a nascer sem que suas estruturas estivessem completamente formadas, exigindo um período de "gestação externa", onde o bebê precisa da mãe em vários sentidos para se completar.

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Penso, então, no efeito dos elogios da mídia às mulheres que, grávidas ou com  recém-nascidos, estão com corpos que "nem parecem" que estão ou estiveram com um bebê em gestação.
Chegam a dar os parabéns pela "recuperação" do corpo, mas não chegam perto de saber sobre os filhos.
E assim, nós, mulheres "normais" temos que conviver com a imagem do corpo perfeito até depois da gravidez! Assim, muitas mulheres sem a capacidade de questionar o que veem ou leem, ao invés de focarem em uma gravidez "interna e externa" saudável, pensam em seu corpo e não nas necessidades do bebê.
Algo que me incomoda há tempos. O elogio pode vir, mas antes poderia um questionamento. Porém, em um mundo onde a imagem fala - e vende - mais, o que importa são as aparências e não o nascimento de um filho, mais uma vida gerada, o amor em forma de gente.

sábado, 8 de maio de 2010

A Class Divided

Algo a ser assistido, refletido, comentado, discutido.



Essa é só a primeira parte.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

uma parte de mim

Ana Paula Pereira, Maria Cristina Grandin, Patrícia Nogueira Santos, Kathleen Zarins, Paula Renata Riggio Tambaschia, Adolfo de Moraes Barros Júnior, Marcelo Campos Mendes, Caio César Novaes Augusto, Reinaldo Millani, Valquíria Harumi Honda, Sâmia Regina Godoy, Beatriz César, Yolani, Fabiana, Gustavo, Patrick, Mari, Camila, Carolina, Milton Sanches, Maria Teresa Sossai Sanches, Milton, Alfredo Zarins, Rosemeire Lana, Isabella, Simone, Wagner Moreno da Silva, Fátima, Francisco Piza, Elizabeth, Denise, Anisha Hansrod, Ana Paula, Patrícia, Sergio Andres Valtierra Yuraszeck, Patricio Alejandro Valtierra Yuraszeck, Rafael, Carla, Adriana, Andréa, Simone, Aderbal, Osvaldo, Luciana, Lizandra, Ana Letícia, Renato, Nelson, Cristina, Sheila, Débora, Patrícia Paes Leme Paioli, Rosemary Zago, André, Rogério, Sérgio Grandin, Celso Grandin, Alberto, Vera Lúcia,

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Típica

Mãe é mãe.
João Pedro está de castigo, sem desenho. Para passar o tempo, ele resolveu ler.
Ler o dicionário!

sábado, 17 de abril de 2010

Que noite!



Depois de chamar mais atenção que a noiva (mamãe modesta...), João Pedro divertiu-se muito no casamento do titio. Queria saber onde consegue tanta energia, sem comer - corre, corre, pula, corre, dança, corre...


Genética

Filhote na sala, assistindo TV e conversando com o papai:
- Quantos anos precisa ter para fazer um programa?
- Como assim?
- Quantos anos a gente precisa ter para fazer uma propaganda?
- Depende...
- Ahn... Eu queira fazer só um propaganda, só isso. Não, quantos anos pra poder fazer um programa que fala de carro?

É meu filho e sobrinho do tio Júnior mesmo!

domingo, 4 de abril de 2010

Nível de sutileza

Andei fazendo umas pequenas alterações no visual do blog...
Perceberam?

sábado, 27 de março de 2010

Notas que explicam

"Demasiadamente tarde, conheci a boa consciência, no trabalho alternado das imagens e dos conceitos, duas boas consciências, que seria a do pleno dia e a que aceita o lado noturno da alma".
Bachelard

De passagem

"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela."
Anaïs Nin

sexta-feira, 26 de março de 2010

Filosofia na noite

“Uma vez que nasceu esse deus – o amor –, do amor às coisas belas seguiram-se toda a classe de bens, tanto para os deuses como para os homens” 
("Banquete", Platão)


O cansaço e o sono que surgem avassaladores me impedem de elaborar qualquer raciocínio  que exija um mínimo de lógica. Provavelmente, se continuar pensando em tudo o que tenho urgência em fazer, vou conseguir algumas ótimas soluções - mas também virá muita coisa que deveria continuar só no mundo do pensamento... ou que, se colocada "no papel", não dará o entendimento correto.
Portanto, encerro aqui antes que seja tarde demais.

domingo, 7 de março de 2010

"A vida é bela"

Assistindo Oprah, ouço a história de um famoso crítico de cinema, Roger Ebert, que, após enfrentar um câncer e perder a mandíbula, as glândulas salivares, a possibilidade de  falar e comer, continua trabalhando e feliz.
Com o rosto deformado pelas inúmeras cirurgias, se recusa a passar por outra apenas para reconstrui-lo. Ele escreve:
"Creio que, se no final de tudo, de acordo com nossas habilidades, fizemos algo para deixar os outros um pouco mais felizes e a nós mesmos também, isso é o melhor que podíamos ter feito.
Fazer os outros menos felizes é um crime. Deixar nós mesmos infelizes é o começo de todos os crimes. Devemos contribuir com felicidade para o mundo. Isso é verdade, independentemente dos nossos problemas, nossa saúde, nossa situação. Temos que tentar.
Eu nem sempre soube disso, mas fico feliz de ter vivido o bastante para descobrir."

Aceitar-se é básico, mas nem um pouco atual. 
Sempre acontece de pessoas se assustarem ao saber da diferença em meu pé e minha perna - agora pernas. Assustam-se porque - não sei como - me conhecem há algum tempo e não tinham percebido.
Dizem que é por eu não agir como se o "problema" fosse um problema.  E realmente para mim não é. É sério quando digo que nem lembro. Talvez seja por não fazer diferença em nenhuma atividade da minha vida - só não posso comprar um sapato porque gostei na vitrine, mas pessoas com pés normais também não, então...
Nunca deixei de usar saias, mini-saias, shorts, sandálias abertas ou qualquer outro tipo de sapato que expusesse meu pé ou minha perna. 
Eu ando. Quero mais o quê?

Há cerca de três meses soube que uma pessoa que trabalha comigo não usava saia ou sandália aberta porque tinha tido paralisia infantil e feito uma operação que deixou uma cicatriz que começava próximo ao calcanhar e subia em direção ao joelho. E ela só me contou porque eu estava mostrando o meu "problema". Aquilo foi, durante toda sua vida, que é um pouco mais longa que a minha, um real problema.
Voltando das férias agora em janeiro, ela me contou que já tinha comprado duas sandálias e duas saias e que eu a veria usando - e vejo. 
Não me lembro de alguma vez ter reclamado ou me sentido injustiçada ou ter tido qualquer outro sentimento ruim por ter nascido assim. E, pensando bem, acho que devo agradecer.

Dia de Sofia

É o seguinte: preciso de opiniões. Opiniões sobre o filme "As invasões bárbaras" vindas de pessoas que apenas assistiram - ou vão assistir para dar sua preciosa opinião... 
E a essas caríssimas pessoas caridosas que ainda não assistiram, já aviso: dêem uma chance ao título.

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E já que é dia de Oscar:
"Quase deuses" (Something the lord made), de Joseph Sargent; "Adeus, Lênin!" (Good Bye, Lenin!), de Wolfganger Becker;
"O jardineiro fiel" (The constant gardener), de Fernando Meirelles;


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"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!" 
(Friedrich Nietzsche)

E para não fugir ao que se tornou rotina, poesia e um dedinho de música, ou melhor, letra sem música.

Quem me dera / Ao menos uma vez / Entender como um só Deus / Ao mesmo tempo é três / E esse mesmo Deus / Foi morto por vocês / É só maldade então / Deixar um Deus tão triste.

"Desde que me cansei de procurar,
aprendi a encontrar;
Desde que o vento começou a soprar-me na face,
velejo com todos os ventos."

(Nietzsche)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Totalmente sem tempo

E louca para as águas de março fecharem o verão e deixarem uma promessa de vida no meu coração.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ouvindo Sky Standards

Ins.pi.ra.ção

E para quem gosta de Vinícius, o site.

Soneto de inspiração

Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.

Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.

Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar – soubesse eu ver

Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.



Vinicius de Moraes, em 1938

Surgiu...

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento"


Como já disse por aqui antes, é colocar os dedinhos no teclado e o poema surge. Sei lá, entende?
E já que comecei, mais um pequenininho:


"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo."


Vinícius de Moraes 

Uol na madrugada...

"Prisão de Arruda vira atração no domingo de Carnaval"
"Homens invadem casa de Silvio Santos em São Paulo; veículo é roubado"
"Jogador dá cotovelada criminosa na Copa da Inglaterra"
"O ciúme que você sente é saudável ou preocupante?"
"Quando acaba a brincadeira e o jogo fica sério"
Juarez de Castro: novo CD do padre-cantor"
"Entenda o que é a compulsão por sexo, que afeta 2% dos brasileiros"
"BBB pode ser fonte de ensinamentos úteis aos telespectadores" (!!!???!!!)
"Condenado à morte mais velho dos EUA morre de causas naturais"
"Em Tiradentes, axé é proibido e blocos animam as ruas"
"Madonna tenta desfilar durante apresentação da Imperatriz e causa tumulto"


E na foto, Dilma-de-cabelo-enrolado carrega no colo Mercy, a filha de Madonna...

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Hummm...

Acabei de ganhar um "eu te amo" e um beijo gelado.
Meu filhote é assim, melhor que a encomenda.