segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Ins.pi.ra.ção
E para quem gosta de Vinícius, o site.
Soneto de inspiração
Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.
Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.
Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar – soubesse eu ver
Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.
Vinicius de Moraes, em 1938
Não te amo como uma criança, nem
Como um homem e nem como um mendigo
Amo-te como se ama todo o bem
Que o grande mal da vida traz consigo.
Não é nem pela calma que me vem
De amar, nem pela glória do perigo
Que me vem de te amar, que te amo; digo
Antes que por te amar não sou ninguém.
Amo-te pelo que és, pequena e doce
Pela infinita inércia que me trouxe
A culpa é de te amar – soubesse eu ver
Através da tua carne defendida
Que sou triste demais para esta vida
E que és pura demais para sofrer.
Vinicius de Moraes, em 1938
Surgiu...
"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento"
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento"
Como já disse por aqui antes, é colocar os dedinhos no teclado e o poema surge. Sei lá, entende?
E já que comecei, mais um pequenininho:
"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo."
Vinícius de Moraes
E já que comecei, mais um pequenininho:
"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo."
Vinícius de Moraes
Uol na madrugada...
"Prisão de Arruda vira atração no domingo de Carnaval"
"Homens invadem casa de Silvio Santos em São Paulo; veículo é roubado"
"Jogador dá cotovelada criminosa na Copa da Inglaterra"
"O ciúme que você sente é saudável ou preocupante?"
"Quando acaba a brincadeira e o jogo fica sério"
Juarez de Castro: novo CD do padre-cantor"
"Entenda o que é a compulsão por sexo, que afeta 2% dos brasileiros"
"BBB pode ser fonte de ensinamentos úteis aos telespectadores" (!!!???!!!)
"Condenado à morte mais velho dos EUA morre de causas naturais"
"Em Tiradentes, axé é proibido e blocos animam as ruas"
"Madonna tenta desfilar durante apresentação da Imperatriz e causa tumulto"
E na foto, Dilma-de-cabelo-enrolado carrega no colo Mercy, a filha de Madonna...
"Homens invadem casa de Silvio Santos em São Paulo; veículo é roubado"
"Jogador dá cotovelada criminosa na Copa da Inglaterra"
"O ciúme que você sente é saudável ou preocupante?"
"Quando acaba a brincadeira e o jogo fica sério"
Juarez de Castro: novo CD do padre-cantor"
"Entenda o que é a compulsão por sexo, que afeta 2% dos brasileiros"
"BBB pode ser fonte de ensinamentos úteis aos telespectadores" (!!!???!!!)
"Condenado à morte mais velho dos EUA morre de causas naturais"
"Em Tiradentes, axé é proibido e blocos animam as ruas"
"Madonna tenta desfilar durante apresentação da Imperatriz e causa tumulto"
E na foto, Dilma-de-cabelo-enrolado carrega no colo Mercy, a filha de Madonna...
domingo, 14 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Hummm...
Acabei de ganhar um "eu te amo" e um beijo gelado.
Meu filhote é assim, melhor que a encomenda.
Meu filhote é assim, melhor que a encomenda.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Recomeçando com poesia
Letreiro
Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.
Miguel Torga
Porque não sei mentir,
Não vos engano:
Nasci subversivo.
A começar por mim - meu principal motivo
De insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
Ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
De cada paraíso.
Miguel Torga
Quando eu crescer...
... quero ser igual ao Gilberto Dimenstein.
Mas brincadeira à parte (não, é verdade!), o artigo abaixo resume parte do que venho pensando e pesquisando.
As soluções imediatistas, a falta de valores - ou de valores do bem, a mídia e a realidade, a incompetência da família e da escola diante do mundo que se apresenta e a importância da filosofia na vida cotidiana são questões urgentes. E, diante deste quadro, acredito que pais e instituições de ensino são os atores principais, cujos papéis precisam ser assumidos ontem.
Como? Ainda não tenho uma resposta que me satisfaça - e talvez nunca encontre. Porém, o simples fato de iniciarmos uma discussão com e entre os dois elementos é um passo na direção correta.
Mas brincadeira à parte (não, é verdade!), o artigo abaixo resume parte do que venho pensando e pesquisando.
As soluções imediatistas, a falta de valores - ou de valores do bem, a mídia e a realidade, a incompetência da família e da escola diante do mundo que se apresenta e a importância da filosofia na vida cotidiana são questões urgentes. E, diante deste quadro, acredito que pais e instituições de ensino são os atores principais, cujos papéis precisam ser assumidos ontem.
Como? Ainda não tenho uma resposta que me satisfaça - e talvez nunca encontre. Porém, o simples fato de iniciarmos uma discussão com e entre os dois elementos é um passo na direção correta.
Mulheres insustentáveis
O parlamento espanhol aprovou, na semana passada, lei que proíbe publicidade, na TV, com exaltações ao "culto do corpo" -a proibição vale das 6h às 22h, destinada, supostamente, a proteger crianças e adolescentes. A decisão radical dos espanhóis coincide com o mês no Brasil em que os desfiles de moda no Rio e em São Paulo colocam ainda mais alto no pedestal seres esqueléticos, apresentados como padrão máximo de beleza.
O argumento que sensibilizou os parlamentares espanhóis: "a publicidade que associa a imagem do sucesso com fatores como peso ou estética incita a discriminação social pela condição física". Esse tipo de argumento sensibiliza também políticos da França, onde tramita uma lei determinando que todos os anúncios com mulheres e homens retocados tenham uma advertência sobre a falsidade da fotografia. O culto à magreza seria colocado, portanto, no mesmo patamar das campanhas contra o fumo e a bebida.
Considere-se ou não papel do poder público meter-se nesse tipo de publicidade, o fato é que se espalha pelo mundo, inclusive no Brasil, uma reação contra as mulheres insustentáveis, cujos corpos só se mantêm (salvo questões genéticas) na base da faca e consumo insalubre de alimentos.
Sempre houve, na história da humanidade, padrões de beleza. O problema é que, agora, juntaram-se à cultura das celebridades, o culto do narcisismo, a visão cada vez mais imediatista dos jovens e as óbvias questões de saúde para alcançar determinado tipo de padrão de beleza, tudo isso embalado pela publicidade.
A cultura da celebridade é visível nos meios de comunicação, onde as entrevistas de modelos, repletas de asneiras e banalidades, ganham destaque.
Isso se traduz, por exemplo, nos casos cada vez mais frequentes de anorexia e bulimia que chegam aos consultórios médicos. Ou nas cirurgias plásticas feitas por crianças e adolescentes, quase todas por motivos estéticos, em sua maioria lipoaspiração. Somos um dos países campeões do mundo em cirurgia plástica: proporcionalmente estamos empatados com os americanos.
O último dado disponível: das 650 mil cirurgias realizadas no país, 15% são feitas em crianças e adolescentes. Psicólogos me informam que, muitas vezes, há estímulo paterno.
Uma pesquisadora de Harvard (Susan Linn) publicou recentemente estudo mostrando a relação entre excesso de publicidade e distúrbios alimentares (da obesidade à anorexia) entre crianças e adolescentes americanas -ela também mostrou a relação entre marketing e sexo precoce.
Sou dos que defendem que a publicidade deve ser responsável e fiscalizada pela sociedade -e, em certos casos, limitada. O perigo é imaginar que limitar a publicidade ajuda muito. O exemplo do pai exagerando na bebida é muito mais poderoso para o filho do que todos os anúncios.
Há um consenso entre psicólogos e educadores de que a doença das mulheres insustentáveis é um problema de educação de valores.
Todos sabem que a adolescência é uma fase de desconforto, na qual se testam, como em nenhum outro período, limites e frustrações, em meio a crises de baixa autoestima. Também todos sabem que vivemos uma época da busca imediata do prazer, tudo tem de ser em tempo real, num estímulo constante ao consumo.
A psicóloga Rosely Sayão lembra que, nesse contexto, são reverenciadas, por causa do imediatismo, as drogas legais e ilegais. Muito mais rápido do que fazer terapia é empanturrar-se de alguma pílula contra ansiedade. A tristeza é medicalizada, como se não fizesse parte do cotidiano -é como se devêssemos sempre parecer algum personagem sorridente de revista de celebridades ou parte de um anúncio, com a família feliz, de caldo de galinha.
Entrar na faca é bem mais rápido do que mudar a alimentação ou ficar malhando. Psicólogos alertam que o problema é bem mais fundo do que a necessidade de malhar ou controlar a alimentação -e aí entra a necessidade de educação de valores, uma das preocupações das escolas mais sérias.
Educação de valores significa discutir o que significa beleza e aprender a relativizar a estética -afinal, beleza pode ser simplesmente a pessoa se conhecer e se gostar. Em síntese, sentir-se bem, apesar das limitações e imperfeições.
É bem mais fácil e rápido (e menos eficiente) tirar do ar a publicidade das anoréxicas profissionais do que manter, nas escolas, na família e nos meios de comunicação, um debate sobre o que é essencial na existência.
Mas o fato é que, para muitos, mulheres insustentáveis são feias.
PS - As escolas deveriam aproveitar a obrigatoriedade do ensino de filosofia (o que considero um avanço) para discutir esse tipo de assunto. Seria uma encantadora aula mostrar a evolução do corpo desde os tempos gregos. Se Marilyn Monroe fosse procurar emprego hoje, certamente alguém a mandaria se internar no spa.
Gilberto Dimenstein
O argumento que sensibilizou os parlamentares espanhóis: "a publicidade que associa a imagem do sucesso com fatores como peso ou estética incita a discriminação social pela condição física". Esse tipo de argumento sensibiliza também políticos da França, onde tramita uma lei determinando que todos os anúncios com mulheres e homens retocados tenham uma advertência sobre a falsidade da fotografia. O culto à magreza seria colocado, portanto, no mesmo patamar das campanhas contra o fumo e a bebida.
Considere-se ou não papel do poder público meter-se nesse tipo de publicidade, o fato é que se espalha pelo mundo, inclusive no Brasil, uma reação contra as mulheres insustentáveis, cujos corpos só se mantêm (salvo questões genéticas) na base da faca e consumo insalubre de alimentos.
Sempre houve, na história da humanidade, padrões de beleza. O problema é que, agora, juntaram-se à cultura das celebridades, o culto do narcisismo, a visão cada vez mais imediatista dos jovens e as óbvias questões de saúde para alcançar determinado tipo de padrão de beleza, tudo isso embalado pela publicidade.
A cultura da celebridade é visível nos meios de comunicação, onde as entrevistas de modelos, repletas de asneiras e banalidades, ganham destaque.
Isso se traduz, por exemplo, nos casos cada vez mais frequentes de anorexia e bulimia que chegam aos consultórios médicos. Ou nas cirurgias plásticas feitas por crianças e adolescentes, quase todas por motivos estéticos, em sua maioria lipoaspiração. Somos um dos países campeões do mundo em cirurgia plástica: proporcionalmente estamos empatados com os americanos.
O último dado disponível: das 650 mil cirurgias realizadas no país, 15% são feitas em crianças e adolescentes. Psicólogos me informam que, muitas vezes, há estímulo paterno.
Uma pesquisadora de Harvard (Susan Linn) publicou recentemente estudo mostrando a relação entre excesso de publicidade e distúrbios alimentares (da obesidade à anorexia) entre crianças e adolescentes americanas -ela também mostrou a relação entre marketing e sexo precoce.
Sou dos que defendem que a publicidade deve ser responsável e fiscalizada pela sociedade -e, em certos casos, limitada. O perigo é imaginar que limitar a publicidade ajuda muito. O exemplo do pai exagerando na bebida é muito mais poderoso para o filho do que todos os anúncios.
Há um consenso entre psicólogos e educadores de que a doença das mulheres insustentáveis é um problema de educação de valores.
Todos sabem que a adolescência é uma fase de desconforto, na qual se testam, como em nenhum outro período, limites e frustrações, em meio a crises de baixa autoestima. Também todos sabem que vivemos uma época da busca imediata do prazer, tudo tem de ser em tempo real, num estímulo constante ao consumo.
A psicóloga Rosely Sayão lembra que, nesse contexto, são reverenciadas, por causa do imediatismo, as drogas legais e ilegais. Muito mais rápido do que fazer terapia é empanturrar-se de alguma pílula contra ansiedade. A tristeza é medicalizada, como se não fizesse parte do cotidiano -é como se devêssemos sempre parecer algum personagem sorridente de revista de celebridades ou parte de um anúncio, com a família feliz, de caldo de galinha.
Entrar na faca é bem mais rápido do que mudar a alimentação ou ficar malhando. Psicólogos alertam que o problema é bem mais fundo do que a necessidade de malhar ou controlar a alimentação -e aí entra a necessidade de educação de valores, uma das preocupações das escolas mais sérias.
Educação de valores significa discutir o que significa beleza e aprender a relativizar a estética -afinal, beleza pode ser simplesmente a pessoa se conhecer e se gostar. Em síntese, sentir-se bem, apesar das limitações e imperfeições.
É bem mais fácil e rápido (e menos eficiente) tirar do ar a publicidade das anoréxicas profissionais do que manter, nas escolas, na família e nos meios de comunicação, um debate sobre o que é essencial na existência.
Mas o fato é que, para muitos, mulheres insustentáveis são feias.
PS - As escolas deveriam aproveitar a obrigatoriedade do ensino de filosofia (o que considero um avanço) para discutir esse tipo de assunto. Seria uma encantadora aula mostrar a evolução do corpo desde os tempos gregos. Se Marilyn Monroe fosse procurar emprego hoje, certamente alguém a mandaria se internar no spa.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Oh, drama!
Se fosse uma manchete sensacionalista, talvez ficasse assim: "Sabonete da Natura provoca lesão".
Durante o banho, pensei nisto de brincadeira após o sabonete cair sobre meu pé. Quinze minutos depois, o dedo estava doendo e quando olhei ... não é que havia ficado roxo!
Durante o banho, pensei nisto de brincadeira após o sabonete cair sobre meu pé. Quinze minutos depois, o dedo estava doendo e quando olhei ... não é que havia ficado roxo!
A vítima O agressor
* Duas horas e meia depois, o que era uma área arroxeada é um roxo roooxo. Sabonete com dupla utilidade - também é uma arma perigosa. Acho que vou começar a carregar um dentro da bolsa...
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
(in.te.gri.da.de)
sf.
1. Qualidade ou estado do que é inteiro, do que não está menor do que era ou do que deveria ser; INTEIREZA: Aferiu a integridade da remessa.
2. Estado do que não foi alterado, quebrado ou agredido (integridade física).
3. Fig. Qualidade de quem é íntegro, honesto, incorruptível; HONESTIDADE; PROBIDADE: A integridade do funcionário é inquestionável.
4. Fig. Inocência, pureza, castidade.
[F.: Do lat. integritas, atis.]
1. Qualidade ou estado do que é inteiro, do que não está menor do que era ou do que deveria ser; INTEIREZA: Aferiu a integridade da remessa.
2. Estado do que não foi alterado, quebrado ou agredido (integridade física).
3. Fig. Qualidade de quem é íntegro, honesto, incorruptível; HONESTIDADE; PROBIDADE: A integridade do funcionário é inquestionável.
4. Fig. Inocência, pureza, castidade.
[F.: Do lat. integritas, atis.]
Again
E não é que assédio moral volta à tona. Entre outras coisas.
"Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato."
Fernando Pessoa
"Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato."
Fernando Pessoa
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Achados II
Um assunto levou ao outro e...
Amèlie: Ela parece distante... talvez seja porque está pensando em alguém.
Pintor: Em alguém do quadro?
Amèlie: Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
Pintor: "Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes."
Pintor: Em alguém do quadro?
Amèlie: Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
Pintor: "Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes."
Amèlie: "Hummm, pelo contrário. Talvez faça de tudo para arrumar a vida dos outros."
Pintor: "E ela? E as suas desordens? Quem vai pôr em ordem?"
Achados I
Amigo é para todas as horas. Não tem que se desculpar. É tão difícil assim?
"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
E onde fica o cinza?
Um saudosismo batendo ultimamente. Festas chegando. Mais um ciclo indo embora. Gerúndio.
Gerúndio é câmera lenta, é estar fora do tempo ao seu redor, é participar sem estar - ou estar além.
Com uma acontecimentos jorrando, ainda não senti a época que se aproxima. Natal, reveillon, férias, família, estresse, compras, viagem, irritação, desconexão, reavaliação, imagem, perfeição. E caminhando para o gran finale:40.
Uau! É a primeira vez que sinto a nova idade. Que sensação de poder! Nada mal...
Mas o cinza, onde fica? É o que estava tentando localizar em meio aos pensamentos. Não há apenas o branco e o preto. Nem tudo ao céu, nem tudo ao mar (ou algo parecido).
Talvez alguns dias mais - melhor dizendo, noites - esclareçam este território nublado que ando habitando. Talvez seja o que os "inimagináveis" 40 me reservam: flexibilidade.
Em busca do caminho do meio.
Meio branco, meio preto: cinza.
Será?
Só o tempo dirá.
Gerúndio é câmera lenta, é estar fora do tempo ao seu redor, é participar sem estar - ou estar além.
Com uma acontecimentos jorrando, ainda não senti a época que se aproxima. Natal, reveillon, férias, família, estresse, compras, viagem, irritação, desconexão, reavaliação, imagem, perfeição. E caminhando para o gran finale:40.
Uau! É a primeira vez que sinto a nova idade. Que sensação de poder! Nada mal...
Mas o cinza, onde fica? É o que estava tentando localizar em meio aos pensamentos. Não há apenas o branco e o preto. Nem tudo ao céu, nem tudo ao mar (ou algo parecido).
Talvez alguns dias mais - melhor dizendo, noites - esclareçam este território nublado que ando habitando. Talvez seja o que os "inimagináveis" 40 me reservam: flexibilidade.
Em busca do caminho do meio.
Meio branco, meio preto: cinza.
Será?
Só o tempo dirá.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Boa noite
Meu nome é Ana Paula e eu sou uma viciada em informação.
Aí, tadinho do blog, tem que concorrer com Twitter e com muita pesquisa para três cursos diferentes e simultâneos. Nem Casa Claudia e Arquitetura e Construção se salvam...
Aí, tadinho do blog, tem que concorrer com Twitter e com muita pesquisa para três cursos diferentes e simultâneos. Nem Casa Claudia e Arquitetura e Construção se salvam...
sábado, 14 de novembro de 2009
Saudades...
... de Santos.
... de amigos.
... de família reunida.
... de ser criança.
... de vento em Campinas.
... de queijadinha.
... de andar na Lagoa.
... de subir morro de bicicleta
e de descer feito louca...
... de "namorar" Marcelo.
... de ter tempo de sentir saudade.
........
Em tempo: Marcelo C.M. era meu "namorado" da segunda até a sexta série.
... de amigos.
... de família reunida.
... de ser criança.
... de vento em Campinas.
... de queijadinha.
... de andar na Lagoa.
... de subir morro de bicicleta
e de descer feito louca...
... de "namorar" Marcelo.
... de ter tempo de sentir saudade.
........
Em tempo: Marcelo C.M. era meu "namorado" da segunda até a sexta série.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Laicidade e cigarro?
Pesquisando, encontrei o texto abaixo. Achei interessantíssimo já que foi o primeiro (que vi) a não resumir a questão da laicidade ao tema religioso.
FUMAR OU NÃO FUMAR EM LOCAIS PÚBLICOS – «laicismo» e «laicidade» em situações de conflitualidade não confessional
Contrariamente à concepção que, com frequência – e tendenciosamente –, se pretende fazer passar para a opinião pública, o «laicismo» constitui um dos princípios racionais basilares que enformam o contrato social que deve organizar as nossas sociedades modernas e cosmopolitas, visando a que elas possam ser amplamente livres, abertas e inclusivas, ao invés das sociedades tradicionais que, assentando em modelos identitários (de matriz étnica, histórica, religiosa, territorial, etc.), tendem a valorizar a padronização e a assumir-se, assim, necessariamente, em moldes totalitários.
A «laicidade» – ou seja, o/s modo/s de aplicação do «laicismo» – visa, afinal, num gesto de tolerência racional, alargar, tão amplamente quanto possível, o universo das livres escolhas individuais no seio de uma sociedade e, assim, permitir a expressão da/s diversidade/s – religiosa, ideológica, étnica/cultural, filosófica, estética, etc. – precisamente aí, nesses domínios onde as sociedades de matriz tradicionalista, recusam aceitar sair da norma simples da replicação comportamental, norma essa que, tantas vezes confundida com o exercício de um poder democrático maioritário, mais não é, afinal, do que uma primaríssima aplicação de uma igualmente primária – natural e irracional – «lei do mais forte».
«Laicismo» e «laicidade», contrariando também o discurso (ainda) costumeiro entre nós, não têm portanto que ver, necessariamente e em exclusividade, com as questões potencialmente conflituais de cariz religioso ou confessional.
Serve este prelúdio para introduzir o texto que aqui se anexa e que se refere a um excelente exemplo de aplicação do «laicismo» – do princípio «laicista» – a uma situação muito usual e que em nada se relaciona com a questão religiosa: o acto, hoje ainda tão frequente de os fumadores de tabaco se permitirem – e de também lhes ser permitido – o fumar em espaços públicos.
Lembra-nos muito bem Richard Hinkel Jr., o autor do texto recentemente publicado no jornal «Público» [12/10/2006], que “A liberdade do indivíduo acaba onde colide com a do próximo” (…) “o fumador reclama para si a livre opção entre fumar e não fumar” contudo “têm [terão] a mesma liberdade de opção os não fumadores que se encontram perto?”
Perante o choque das duas «liberdades», perante o conflito entre a liberdade do fumador fumar e a liberdade de o não fumador não fumar, prevalece a solução de compromisso que, instituindo a interdição para o fumador de fumar na generalidade dos espaços públicos e remetendo o exercício da sua opção de fumar para um espaço reservado para esse efeito – um espaço «privado» do grupo dos fumadores –, menos afecta a ambos os interessados, permitindo, afinal, a expressão condicionada de ambas as possibilidades de escolha.
Dizia o Padre Lacordaire: “Entre o forte e o fraco, é a liberdade que oprime e a Lei que liberta”.
FUMAR OU NÃO FUMAR EM LOCAIS PÚBLICOS – «laicismo» e «laicidade» em situações de conflitualidade não confessional
Contrariamente à concepção que, com frequência – e tendenciosamente –, se pretende fazer passar para a opinião pública, o «laicismo» constitui um dos princípios racionais basilares que enformam o contrato social que deve organizar as nossas sociedades modernas e cosmopolitas, visando a que elas possam ser amplamente livres, abertas e inclusivas, ao invés das sociedades tradicionais que, assentando em modelos identitários (de matriz étnica, histórica, religiosa, territorial, etc.), tendem a valorizar a padronização e a assumir-se, assim, necessariamente, em moldes totalitários.
A «laicidade» – ou seja, o/s modo/s de aplicação do «laicismo» – visa, afinal, num gesto de tolerência racional, alargar, tão amplamente quanto possível, o universo das livres escolhas individuais no seio de uma sociedade e, assim, permitir a expressão da/s diversidade/s – religiosa, ideológica, étnica/cultural, filosófica, estética, etc. – precisamente aí, nesses domínios onde as sociedades de matriz tradicionalista, recusam aceitar sair da norma simples da replicação comportamental, norma essa que, tantas vezes confundida com o exercício de um poder democrático maioritário, mais não é, afinal, do que uma primaríssima aplicação de uma igualmente primária – natural e irracional – «lei do mais forte».
«Laicismo» e «laicidade», contrariando também o discurso (ainda) costumeiro entre nós, não têm portanto que ver, necessariamente e em exclusividade, com as questões potencialmente conflituais de cariz religioso ou confessional.
Serve este prelúdio para introduzir o texto que aqui se anexa e que se refere a um excelente exemplo de aplicação do «laicismo» – do princípio «laicista» – a uma situação muito usual e que em nada se relaciona com a questão religiosa: o acto, hoje ainda tão frequente de os fumadores de tabaco se permitirem – e de também lhes ser permitido – o fumar em espaços públicos.
Lembra-nos muito bem Richard Hinkel Jr., o autor do texto recentemente publicado no jornal «Público» [12/10/2006], que “A liberdade do indivíduo acaba onde colide com a do próximo” (…) “o fumador reclama para si a livre opção entre fumar e não fumar” contudo “têm [terão] a mesma liberdade de opção os não fumadores que se encontram perto?”
Perante o choque das duas «liberdades», perante o conflito entre a liberdade do fumador fumar e a liberdade de o não fumador não fumar, prevalece a solução de compromisso que, instituindo a interdição para o fumador de fumar na generalidade dos espaços públicos e remetendo o exercício da sua opção de fumar para um espaço reservado para esse efeito – um espaço «privado» do grupo dos fumadores –, menos afecta a ambos os interessados, permitindo, afinal, a expressão condicionada de ambas as possibilidades de escolha.
Dizia o Padre Lacordaire: “Entre o forte e o fraco, é a liberdade que oprime e a Lei que liberta”.
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